• Por Rodrigo Barros

Já dizia o professor Amartya Sen que sem concretude um homem acaba por perder o que mais lhe vale. A frase, embora contenha certa ambiguidade, é uma síntese do momento político etéreo no qual vivemos. Estamos a poucas horas do pleito que define quem irá conduzir a administração pública do Brasil nos próximos quatro anos e de concreto, não temos nada.

Espremidos entre a desconfortável eminência parda que é Luiz Inácio e a quase certeza de que seu antagonista neste combate é alguém treinado para explodir-se – se acuado – assistimos absortos a um desfile de iniquidades, a uma exposição de infantilidades, um conversar sonso e sem sentido que nos entendia, nos provoca ânsia e que provavelmente nos desenganará outra vez mais.

O Brasil é caixa forte sendo disputada por facções diversas, de origens distintas. Em especial, os tecnocratas que lideram as pesquisas para o cargo mais importante da América do Sul são homens cujos atributos técnicos e conhecimento de gestão pública são rasos demais. A verdade é que são  inexperientes para tratar da hemorragia que destrói o Estado.

É constrangedor escolher entre Bolsonaro e Haddad.

Ambos são polos invertidos da mesma bateria usada, velha, sem energia para empreender o que é necessário para mover o Brasil na direção contrária ao tempestuoso mar que navegamos.

Ao novo presidente restará negociar com os senadores – bizarros seres – presos ao ideário binário da direita demasiadamente reacionária ou da chamada nova (e dramática) esquerda. Bando de insensatos!

E para o convencimento mínimo? Dinheiro. Haverá “mensalidades” tanto de um lado quanto de outro, não se engane: dinheiro para pagar o resgate dos homens de bem que ainda restam à frente das construtoras, das indústrias, dos comércios e das startups (que não à toa regam o sonho de atuar fora do país).

Nos planos de governo de ambos os candidatos – excelentes enquanto peças de ficção – não há nada de substancial para a indústria da construção civil. Nos últimos 24 meses demitimos mais de 1 milhão de profissionais, que multiplicados por suas famílias somam mais de 2 milhões e meio de pessoas que precisam comer. O pedreiro voltou para o sinaleiro, está preso ao desespero diário outra vez, tratado de modo indigno, como número, como curva estatística, como margem de erro.

Não há sequer ideia de quais serão os instrumentos com os quais irão administrar um país que tem 91% da receita comprometida com despesas obrigatórias. De onde sai o dinheiro para o investimento? Pergunta prosaica de resposta aparentemente impossível para ambos.

Sob a ótica do planejador, temos apenas 48 meses para implantar soluções de elevada complexidade econômica e de grande alcance social. É tempo curto demais para rediscutir o básico. Não há tempo para desconstruir o petismo, não há tempo para insistir que pode haver um golpe de militares fanfarrões.

Não pode haver vácuo no amanhecer do dia primeiro de janeiro de 2019. Há de se ter, pelo menos, concretude. Sem ela, o que se consegue, mesmo de um país apaixonante, de povo trabalhador e criativo é…

Nada!

  • Rodrigo Corrêa de Barros é analista de mercado e diretor da Cross Marketing
    Crédito: Divulgação

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