Arquitetura

Como projetos arquitetônicos podem (e devem) suprir as necessidades urbanas?

Dia mundial do urbanismo levanta discussão sobre impacto das metrópoles na configuração de projetos arquitetônicos e como os espaços internos refletem a dinâmica das cidades.

 

Com a intenção de ressaltar a importância da configuração estrutural das cidades e a forma como a população se relacionará com ela, foi criado no dia 8 de novembro de 1949, pelo urbanista Carlos Paolera, o Dia Mundial do Urbanismo. Mas será que o conceito dessa área tão importante abrange tão e somente o planejamento urbano?

Segundo a arquiteta especialista em workplace e change management, Bruna de Lucca, compreender novas demandas sociais está mais do que nunca no core business da arquitetura que, nesse sentido, é pautada pelos conceitos do urbanismo. “Quando analisamos a constante mudança das estruturas e comportamentos urbanos e sociais, consequentemente é entendido que os modelos arquitetônicos façam esse equilíbrio entre conceber espaços visualmente agradáveis e que, ao mesmo tempo, sejam usuais, atendendo e contribuindo para a rotina do seu entorno”.

Sócia da Studio BR Arquitetura, escritório especializado em arquitetura corporativa, Bruna afirma que a análise de tendências é um ponto nevrálgico para a concepção de espaços que buscam valorizar o comportamento das pessoas e das cidades, sobretudo em projetos corporativos, já que as barreiras entre trabalho/casa/lazer estão cada vez mais difusas. Para a arquiteta Laura Capelli, também sócia do Studio BR, toda arquitetura é influenciada pela cidade. “A arquitetura de workplaces nada mais é que um reflexo das cidades em menor escala. A todo momento temos um reflexo do urbanismo nos nossos projetos: os fluxos e setorizações de espaços internos são espelhados na lógica e na dinâmica que ocorrem dentro da cidade; toda cidade planejada também deve ter um espaço de fala, de troca de conversas, o que está representado em nos nossos projetos pelas tipologias que permitem a abrangência do espaço e do diálogo, como o fórum e a praça, cujo nome traduz essa relação. A praça na cidade é o lugar de pausa e respiro, de reflexão de ideias e de troca de conversas. Trazemos esse espaço para os escritórios porque entendemos que, assim como em uma cidade, precisamos da dinâmica da pausa e do respiro no ambiente de trabalho”, explica.

“Hoje, por exemplo, é muito comum que profissionais se dirijam até seus locais de trabalho com bicicletas, ou que pratiquem alguma atividade física antes ou após o horário de trabalho… nesse cenário, cabe ao profissional responsável por projetar esse espaço, a análise dessa rotina e não obstante, avaliar como o entorno desse projeto irá responder a essas adaptações, proporcionando ambientes flexíveis, integrados e harmônicos em todos os sentidos”. O crescimento exponencial de ciclovias em decorrência do aumento de bicicletas como meio de transporte é um exemplo. Segundo apontamento feito pela CET em 2019, São Paulo já conta com 468km de ciclovias apoiado por um aumento circunstancial de 140% no número de ciclistas.

Outro dado interessante a ser considerado para a composição desses espaços é o crescimento dos serviços de delivery de comida. A tendência das “dark kitchens” – cozinhas com operação 100% voltada para entregas, marcam o crescimento do delivery online, que em 2019 cresceu 80% e possui estimativas de alta de até 175% em 2020. “Esse é somente um dos muitos exemplos de análises voltadas ao comportamento, que o arquiteto precisa fazer para a concepção dos espaços de convivência, aqui vemos claramente o potencial do mercado de delivery e, consequentemente, a necessidade de um projeto que facilite o acesso das pessoas a esse serviço. A mesma análise cabe a outros serviços, como manicure, massagem, atividades físicas e recreativas, como pilates e yoga. Tudo aquilo que for identificado como tendência de consumo e comportamento urbano deve ser considerando e ponderado para a construção de espaços que consigam harmonicamente facilitar o acesso a essa rotina já pré-estabelecida”, afirma Bruna.

Com a chegada da pandemia, muito se especula sobre a readaptação da forma como as pessoas se relacionam com a cidade e com os espaços compartilhados – sobretudo em ambientes corporativos. Apesar da nebulosidade, algumas medidas para lidar com essa adaptação já estão sendo implementadas, como afirma Bruna. “O novo momento requer uma atenção especial às necessidades sanitárias, uma vez que a partir de agora os espaços de convivência precisam configurar e respaldar segurança. Uma adaptação simples, mas que já é amplamente implementada, são os dispensers de álcool em gel que a partir de agora se fazem necessários em grande número. Em contrapartida, diminui-se o número de pessoas nos ambientes de trabalho, indo na contramão do aumento do adensamento que estava em curso nos últimos anos, antes da pandemia. São vieses como esses que reforçam a importância do profissional responsável por criar o layout desses novos espaços, que a partir de agora devem contemplar a atual mudança de ciclo, bem como os novos hábitos de convivência que estão sendo desenvolvidos para que, por fim, seja possível coabitar em espaços configurados para suprir igualmente necessidades e eventualidades”.

Crédito: Divulgação
Fonte: Caires Comunicação

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