A empresária Irit Czerny, diretora criativa da grife Lafort, investe na ascensão da marca em território nacional.

Renato Kherlakian, criador da Zoomp, e Eliana Tranchesi, visionária da Daslu, se encantaram. As estilistas Cris Barros e Adriana Barra, além das grifes Bobô, Le Lis Blanc e Animale também não resistiram. NK Store ainda desfruta desse diferencial. O que esses ícones da moda prime têm em comum?  Visão de futuro... e o arrebatamento pelo tricô - produto carro-chefe da paranaense Lafort, comandada pela dinâmica empresária paranaense Irit Czerny, uma líder multifacetada. “Eu sempre acreditei que o tricô era uma coisa muito sofisticada, moderna, mas precisei me mudar para São Paulo para vender essa ideia lá”, pontua. “Consegui essa abertura com pessoas antenadas e vanguardistas porque atuo nesse mercado desde os 15 anos de idade. Entendo de máquina, fio, textura e graduação. Eu gosto da indústria”, destaca. 

A história de Irit com o tricô transcende estações, tendências e modelos de negócios. E se nos últimos 15 anos ela ganhou mercado desenvolvendo coleções para grandes marcas nacionais, nos últimos três anos Irit vestiu a camisa (ou, melhor, o tricô) da Lafort - empresa fundada pelo seu pai, o empresário Amnon Czerny.

Irit não para um minuto, mas discorda que sua agenda seja concorrida. “É que eu faço parte da área produtiva. Eu faço estilo, recebo gente de fora e ainda tenho que administrar a empresa. Eu crio, monto e vendo. Aliás, eu gosto da parte da venda”. Além de diretora criativa da Lafort, a empresária também está à frente da direção criativa e de estilo da Paramount (a maior indústria têxtil da América do Sul), do Sindicato da Indústria Têxtil do Paraná, e também é conselheira da Câmera Setorial do Vestuário do Paraná. 

Quem tem história tem tudo
A empresa, que já teve 60% de seu faturamento proveniente do desenvolvimento de Private Label, hoje investe na ascensão de sua marca própria e, além de multiplicar endereços Brasil afora, no atacado e varejo, conquista cada vez mais seguidores em redes sociais e embaixadoras de seu lifestyle. “Assumi um grande risco ao encerrar a parceria com meus clientes, mas considerei que 90% das marcas não tem indústria. Nós temos indústria e marca. Essa é nossa a diferença. É isso que encanta o nosso público. A roupa não se vende por si só. Nós temos história”.


A história da Lafort começou há mais de 50 anos, numa malharia pequena, a antiga Malharia Francesa, que tinha sede na Avenida Batel. “Sou filha de imigrantes. Meu pai montou uma loja e minha mãe seguiu o lado intelectual, se formou em psiquiatria. Comecei a acompanhar o meu pai cedo. O negócio dele começou com uma máquina de tecer, fruto do pagamento de uma dívida. A máquina, posicionada na vitrine da loja, começou a atrair clientes e eu fui crescendo nesse meio”.

Números fortes 
Em 2004, Irit inaugurou a primeira loja da marca Lafort em Curitiba. “As clientes começaram a aceitar o tricô para completar a nossa linha premium de alfaiataria, que se destaca pelo preciosismo no corte e na modelagem impecável. Nesse começo, a proporção do estoque era composta por 90% de alfaiataria e 10% de tricô. Hoje quero 40% de tricô nas três lojas de Curitiba e na recém-inaugurada operação no Rio de Janeiro – onde estamos a convite do Grupo Muliplan. Também são recentes os showroons que estruturamos em Porto Alegre e São Paulo”, ressalta. 


À frente de 100 funcionários na fábrica da Lafort e 2 mil funcionários na Paramount, Irit afirma que a criação nunca foi um problema para ela. “Transformo uma peça em quinze, em menos de vinte minutos. Eu enxergo coleções. Em compensação tenho outras dificuldades muito fortes. Acho, por exemplo, que a mulher tem uma grande dificuldade de ser uma empreendedora de grande porte. O empreendedor tem que ser focado, pragmático. A mulher faz dez coisas ao mesmo tempo. Na Lafort tenho um diretor que é exatamente o oposto de mim. A gente briga, mas dá certo. Já na Paramount, converso com os diretores de cada unidade fabril e trabalho com engenheiros: desenvolvo produtos, fibras, cores e sugiro como apresentar o resultado para a área comercial. Hoje eu estou crescendo com a minha marca própria, mas penso que eu deveria ter feito isso há 20 anos”, acrescenta.

Posicionamento de marketing
Numa época onde as redes sociais são fundamentais para a solidificação dos conceitos de uma marca, Irit ressalta a competência de seu time. “Eu não gosto de aparecer, mas apareço. Sou muito reservada, mas aceito as orientações da minha equipe, que também me ajuda a contar a história da Lafort. Elas mostram os bastidores do trabalho, dos eventos, das convenções, das reuniões”. 

Para Irit, moda é inspiração. “Você tem que saber porque está vestindo determinada roupa. Ela precisa ter um conceito para virar um desejo. Esse é o processo de construção de marca”, explica. O amor pela arte também ajuda Irit a moldar o DNA da Lafort. “Eu gosto de arte. Nossas estamparias sempre são baseadas no estilo de algum artista. Nossa próxima coleção de verão, por exemplo, terá muita geometria e essa referência veio da última exposição do Julio Le Parc, que tive a oportunidade de conferir em Miami”, revela. 


Questionada sobre o estilo de sua marca, Irit defende a elegância. “Acho que o conceito de uma marca segue o estilo do dono. Goste da roupa feminina, sensual e moderna. Não precisa ser discreta, mas precisa ser harmoniosa e atual. Não consigo entender uma roupa que não seja elegante. Nosso tricô é descolado, chique. É tudo de bom. É uma joia que circula em todas as ocasiões, do dia a dia a uma festa de casamento. Nosso trabalho é resultado de anos de pesquisa para desenvolver uma malharia retilínea, com tecnologia de ponta. Trabalhamos com máquinas supermodernas”, conta.

A paixão de Irit pelo tricô é tão grande e sua aposta é tão convicta, que há um ano criou a Linha Home para Lafort. “É uma tendência muito forte essa história do handmade (feito à mão). Quis expandir o horizonte da Lafort para a decoração e nossa loja no Park Shopping Barigui reproduz o aconchego desse espaço que desejamos ter em casa, com design atual. Para isso desenvolvi fios grossos e mandei fazer agulhas que parecem um cabo de vassoura para poder tricotar nesse tamanho. Fizemos almofadas, alguns móveis, lustres, mantas, peseiras e cachepôs. Isso é totalmente manual, cool e contemporâneo”, garante. 


Fotos: Arquivo/Divulgação
Escrito por Thabata Martin