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Publicado em 15/08/2013

A questão agora é o preço

Mas a distância entre a classe média brasileira estar travada e estar quebrada é de uma galáxia.

A questão agora é o preço

A questão agora é o preço

Por Rodrigo Barros

A massa de brasileiros que recentemente se converteram em ávidos compradores para ascender à tão sonhada classe média está financeiramente travada.

Inexperientes e sem a cultura da economia pessoal, os “novos médios” se deparam com níveis de endividamento que pesam como âncora para a dinâmica econômica, o que cria especialmente para o comércio uma sensação de estagnação.

Mas a distância entre a classe média brasileira estar travada e estar quebrada é de uma galáxia.

Com perspectivas de crescimento para 2013, mesmo que tímidas, a iniciativa privada segue buscando alternativas para escoar a produção industrial, manter empregos e dar vazão a estratégias que permitam promover produtos e serviços. Na construção civil, as constantes campanhas de reposicionamento de preço são sinalização inequívoca de que o cenário está bastante diferente daquele no qual vivemos há trinta meses.

A lei da oferta e da procura se impõe sob tais circunstâncias e cria pressão contrária à expectativa do empresário, frustrando planos de curto prazo. Mas a exemplo da macroeconomia, caso desejemos criar um cenário com substrato econômico e massa de consumo confiável, devemos planejar para médio e para longo prazo, ou seja, para no mínimo trinta meses à proa.

A grande questão para a construção civil é a formulação do preço dos imóveis que serão lançados. A equação está bastante complexa, uma vez que a compra de terrenos e o custo de insumos e da mão de obra pressionam o preço final do imóvel para cima, enquanto na outra ponta o comprador exige preços palatáveis (em sintonia com sua realidade salarial), valores condominiais racionais, condições muito flexíveis de pagamento durante a obra e qualidade construtiva.

É certo que haverá movimento inverso àquele dos últimos anos. Aposto em um novo cenário, no qual vejo o construtor capitaneando uma gestão responsável para custos e compras, negociando terrenos de um modo menos emocional, esculpindo cada detalhe de seus produtos imobiliários e investindo muito mais em estratégia e em equipes comerciais mais bem capacitadas. Esse último, aspecto fundamental para uma empresa que vislumbra atuar em tempos de competição acirrada.

O ambiente de negócios brasileiro tem se tornado hostil na medida em que o comprador lança novas cartas sobre a mesa, comprovando aquilo que todos sabem, mas que poucos admitem: o mercado é horizontal. Quem manda nele é quem compra e não quem vende.

Resta, portanto, a questão mais imprevisível de todas: a tal governabilidade.

Sem comando, ou melhor, com tantos comandantes que já nem se sabe quem dirige o país, o governo Dilma ensaia nova mudança ministerial, na tentativa de encontrar na classe política atual o improvável: um talento em gestão administrativa capaz de transformar em mil os menos de dez por cento que sobram da arrecadação para investir em desenvolvimento real.

Uma coisa é certa. Não há milagre que possa reverter nossa posição em curto prazo.

Perdemos muito tempo, perdemos muito dinheiro e, embora hoje a distância entre a classe média brasileira estar travada e estar quebrada seja de uma galáxia, penosamente nos obrigamos a lembrar de que nosso governo sabe como poucos, como criar buracos negros...

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Sobre o Autor

Rodrigo Barros (rodrigo@equipecross.com.br)Rodrigo Barros é Publicitario e planejador do mercado imobiliário. Diretor da CrossMarketing.
Colunista desde 12/08/2013
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