Presidente do Graciosa Country Club fala sobre sua grande tacada profissional e revela certezas e dúvidas de uma vida repleta de grandes emoções.
Qual sua formação e como sua trajetória profissional se sucedeu?
Eu sempre me imaginei engenheiro, mas me formei em Direito. Acontece que a minha vida acabou sendo toda direcionada para a engenharia. Digo isso porque, no meio do meu curso de Direito, eu e mais outros dois sócios criamos uma empresa de engenharia e, desde aquela data, em 1962, que eu não tenho feito outra coisa na minha vida, senão construir. Mas acabei me transformando mesmo foi em um empresário.
Qual foi sua primeira empreitada profissional?
A primeira coisa que eu fiz, aos 18 anos, foi criar uma empresa de administração de imóveis. Meu pai tinha uma boa quantidade de imóveis para locação e então criamos uma imobiliária. Acho que fizemos isso durante uns 12 anos e daí nos desfizemos do negócio.
A área de incorporação permanece forte no seu portfólio de negócios?
Nós criamos uma empresa chamada Seagull Incorporações e Participações. Elaboramos os projetos, aprovo e faço a comercialização. A construção fica a cargo da Dacol, uma empresa pequena, porém muito competente.
Hoje você tem uma holding (chamada JCR - João Carlos Ribeiro). Como aconteceu a decisão pela diversificação nos negócios?
Quando chegamos em uma determinada fase da vida, onde tivemos oportunidade de nos capitalizar, começamos a fazer investimentos de outra natureza, num propósito muito claro de diversificação. Portanto, a grande guinada que nós demos, que mudou o nosso rumo de uma forma substancial, foi quando criamos uma empresa chamada Gravames. Trata-se de uma empresa de tecnologia e informática, cuja atividade opera essencialmente fazendo por meios eletrônicos a alienação e desalienação de veículos perante o DETRAN. Hoje temos o monopólio nos 27 estados do país, e todos os gravames são conduzidos para o DETRAN eletronicamente pela nossa empresa.
Vamos falar sobre a Porto Pontal, empresa adquirida para construção de um porto privado em Ponta do Poço.
Eu comprei o terreno da Porto Pontal (área de 950 mil²) que já era detentora de uma concessão de um contrato de adesão com o então Ministério dos Transportes e que para mim seria muito útil para eu poder construir o restante. Isso porque o Terminal da Porto Pontal era precaríssimo, um terreno de um terminal pequeno. Nós transformamos num terminal com 1.300m² e 48.600m² de área.
E como você divide sua agenda? Como você consegue dar atenção para todas essas empresas e ainda ser o presidente do Graciosa Country Club?
Além do meu filho, que me ajuda significativamente, conto com outros diretores extremamente competentes. Com isso eu posso me permitir, por exemplo, não vir ao escritório pela manhã. Esse é o período que eu dediquei ao Graciosa Country Club e aos meus interesses individuais, de saúde, bem-estar, jogar meu tênis, entre outros. À tarde eu estou aqui integralmente e à disposição das empresas. Eu ainda detenho o controle de todas as grandes decisões, então, a política estratégica é toda minha. Agora, a parte de gestão realmente eu já estou mais distante.
Vamos falar sobre o Graciosa, que é uma das suas grandes paixões, e merece todas as manhãs da sua semana.
Eu já fui presidente três vezes e estou assumindo pela quarta vez. A primeira foi em 1997, há 14 anos. Aquilo tudo tem um detalhe: me confere enorme prazer, também porque não deixa de ser uma empresa, que aliás pode ser considerada de porte médio, com um orçamento anual na casa dos R$ 16 milhões. Então, não é um clubezinho. Temos entre funcionários e prestadores de serviço, em média 350 pessoas em nossa equipe. Temos também muitos eventos de caráter esportivo e social. É por isso que eu dou muita ênfase a uma diretoria denominada Diretoria de Responsabilidade Social, da qual eu tenho uma dedicação muito especial. É basicamente uma forma que encontrei para estender os benefícios aos meus funcionários. A responsabilidade social visa dar melhorias de condições para esses nossos colaboradores que são pessoas maravilhosas e trabalham com o maior prazer.
Como você avalia sua trajetória até aqui? Quando você olha para trás, o que você vê?
Posso dizer que não nasci em uma família absolutamente pobre. Meu pai era médico e sempre teve muita visão de negócios, mas viveu para a política. Então, quando eu entrei na faculdade já trabalhava como adulto. Com 19 anos eu achei que já podia cuidar das fazendas. Portanto, desde cedo, a minha vida tem sido simplesmente trabalhar e gosto disso. Faço com um prazer enorme. Meu pai faleceu relativamente cedo e acabei tendo que cuidar de todos os bens da família, porque da política eu não queria saber. Passei por momentos terríveis. Trabalhava muito com o poder público e às vezes eles esquecem que têm que pagar. A partir dos meus 45 anos as coisas foram se consolidando e eu consegui conduzi-las com mais tranquilidade. Hoje eu trabalho com regime de absoluta liquidez. Essa é a minha filosofia de trabalho e de vida. Hoje minha vida é muito saborosa e esportiva. Fui esportista a vida inteira, joguei futebol e jogo tênis até hoje.